sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vinho Curinga


sábado, 26 de setembro de 2009

Brunello ou Chianti


Era preciso resistir a tantos argumentos em favor dos competentes Cabernet Sauvignon e Chardonnays, vinhos que construiram a tradição francesa e que foram globalizados pela competência americana e pela persistência australiana. Era preciso resistir a tantos discursos: meus amigos da Confraria do Spac não poderiam subjugar a paixão toscana pelos Sangiovese. Nem a minha paixão, nem a dos italianos que tanto trabalharam pelo lugar ao sol, hoje conquistado.

Conforme a narrativa do enólogo Giampaolo Chiettini, até a década de 50, as Fattorias (fazendas) italianas eram fechadas e em sua grande maioria de propriedade de famílias nobres. As Fattorias eram divididas em Poderi, os quais eram arrendados aos conttadinos que deveriam dividir sua produção agrícola com a nobreza. Nesta época quase não havia comércio: as plantações e a criação de animais eram para consumo próprio. O vinho era um alimento.

No final dos anos 50, houve uma grande modificação estrutural na composição agrária, o sistema de meação foi proibido e o vinho chianti passou a ser largamente comercializado pelos novos proprietários.

Nesta época, o chianti, principal vinho da região da Toscana, centro-norte da Itália, era produzido a partir da vinificação de quatro uvas, as tintas Sangiovese (80%) e Canaiolo e as brancas Trebbiano e Malvasia. Consta que tal composição foi idealizada pelo Barone Bettino Ricasoli que, ciumento de sua bela esposa Anna, recolhia-se em exílio voluntário no Castelo de Brólio experimentando o melhor corte entre as uvas.

No afã de fazer dinheiro fácil, os produtores da época descuidaram-se muito rapidamente da qualidade e o chianti, um dos poucos italianos D.O.C.G.(Denominazione de Origine Controllata e Garantita) logo ficou desqualificado no mercado havendo grande queda de preço.

Por esta razão no início dos anos 70 as Tenute (propriedades) italianas novamente mudaram de mãos.

Os novos proprietários logo lançaram-se ao desafio de reestruturar os meios de produção a fim de produzir vinhos de qualidade. Além das cepas disponíveis, houve também o plantio de uvas tintas de origem francesa como o cabernet sauvignon, o merlot, o syrah, além de outras espécies brancas.

Convictos de sua capacidade, os italianos não se prenderam aos rótulos e batizaram seus novos sangiovese por vino di távola os quais logo alcançaram notoriedade e foram rebatizados pelos apreciadores como super toscani. Este vinho é produzido pelos melhores vinhedos sangioveses, muito mais exigentes em termos de luz, solo, e água que os cabernet sauvignon, ou por cerca de 80 ou 90% da uva sangiovese, com cortes de cabernet sauvignon ou merlot. São envelhecidos quatro anos, dois deles em barricas pequenas de carvalho novo francês ou esloveno. São produzidos nas regiões do chianti clássico ( entre Firenze e Siena) e de Montalcino em pequenas quantidades. Entre seus principais representantes estão o Tignanello, o Ceparello, o Sangioveto, Le Pergole Torte, Fontalloro, etc.

Na revitalização dos vinhos da Toscana, os produtores também empreenderam no resgate do prestígio do chianti. Atualmente o vinho é produzido na grande maioria do chianti clássico exclusivamente por uvas sangiovese selecionadas, permanecendo em tóneis de carvalho por 6 a 8 meses. O resultado é um vinho fresco, frutado, ideal para acompanhar refeições. A região do chianti é dividida em sete subdivisões: além do clássico, temos as regiões Colli Aretini(Arezzo), Colli Fiorentini(Firenze), Colli Senesi(Siena), Colli Pisane(Pisa), Montalbano e Rufina(nordeste de Firenze).

Outro vinho de grande expressão na Toscana é o Brunello di Montalcino. O vinho começou sua história na década de 70 em propriedades que se localizavam ao redor da comuna de Montalcino, ao sul de Siena, a partir de uma variedade das uvas sangiovese, denominada s. grosso ou brunello. Trata-se de um vinho bastante encorpado de teor alcólico alto (em torno de 14 graus), envelhecido 4 ou 5 anos em carvalho e pelo menos um em garrafa.

Com destaque não menos importante, na Toscana temos ainda o D.O.C.G. Vino Nobile di Montepuciano, da região de igual nome, os vinhos de Carmignano(região de Montalbano), Montecarlo(região de Lucca) e os de San Giminiano; além de ótimos spumanti e um vinho de sobremesa tão especialmente bom que foi chamado há quase um milênio de vin santo.

Para aqueles que preferem, também encontramos na região varietais produzidos por cepas francesas de excepcional qualidade como os cabernet sauvignon Sassicaia e Olmaia, o merlot Masseto e o syrah Colezione di Marchi.

Como se vê a Toscana e a Itália têm muita importância na história do vinho. E, ainda que tenham enfrentado alguns problemas no passado, nunca se acomodaram. E fizeram vinhos irresistíveis a qualquer preferência.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uma alternativa ao Champagne



Não tem ingleses, nem italianos e nem Dom Pérignon, o INAO ( Instituto Nacional das Denominações de Origem) reconhece que o primeiro vinho espumante do mundo nasceu em 1531, em Limoux. Vou complementar aqui a ótima descrição de Alisson Hervatin nesta entrevista cedida ao blog contando um pouco dessa interessante história.

Em Limoux, Aude, sul da França, as vinhas foram plantadas primeiro pelos etruscos e gregos e posteriormente pelos romanos. São os veteranos legionários romanos que para ocupar a região recebem terras nas quais irão ampliar os vinhedos existentes plantando às margens dos rios. Os não Romanos não possuíam o direito de plantar nem a vinha nem as olivas. O vinho de Limoux vai ser exportado para Roma e ganhar fama como atesta Tito Lívio (59AC.- 17D.C) em sua “História Romana"

As invasões visigodas e posteriormente francas vão devastar os vinhedos, nos ensina o enólogo Laurent Mingaud, diretor comercial da Cooperativa Sieur d’Arques-Aimery. Será na Idade Média que monastérios e abadias serão fundados no Midi e que irão relançar a plantação das uvas viníferas. Os beneditinos fundarão nas proximidades de Limoux a abadia de Saint Hilaire. Mingaud conta que a galeria oeste da abadia abrigava as adegas onde os monges vinificavam e estocavam seus vinhos. Foi aparentemente por acaso que os beneditinos produziram o primeiro brut. Um monge descobriu que o vinho branco que ele havia cuidadosamente fechado formava bolhas como se uma segunda fermentação se iniciasse.

Foi com um pouco de sorte que a Blanquette de Limoux, o primeiro brut do mundo, nasceu em 1531. Documentos históricos de 1544 atestam que o Sieur d’Arques (Senhor dos Arcos), um poderoso senhor feudal do Razès, comemorava suas vitórias militares com a Blanquette. Limoux vê nascer a Blanquette Ancestral, bebida pouco alcoolizada e suave, que tem uma segunda meia-fermentação na garrafa. Feita de uvas mauzac, chamada na região de blanquette, isto é, branquinha devido a sua cor clara.

Será somente duzentos anos depois que Dom Pérignon (1639-1715), também um monge beneditino, responsável pela cave da abadia de Hautvilliers, próxima a Epernay, irá desenvolver o método champenoise, hoje chamado também de tradicional. Seria apenas coincidência o fato de ambos serem da mesma ordem religiosa?, pergunta Mingaud. Dom Perignon, grande estudioso da enologia, irá buscar em Limoux o conhecimento necessário para desenvolver a Champagne, que terá uma segunda fermentação completa. O que faltou então para que a Blanquette ficasse famosa como sua co-irmã, a Champagne? Com certeza a ausência de um autor, de um pai da descoberta, dificultou a comunicação. Outro fato importante é que em Saint Hilaire não houve um Dom Grossard, último sucessor da abadia de Hautvilliers, antes da
revolução francesa, que deu frutos à sua imaginação criando os mitos champagne e D.Pérignon a difundindo a por toda a Europa. A distância da corte com certeza também foi uma componente geográfica determinante na época.

Hoje a Blanquette e o Crémant de Limoux, os dois brut da região, têm um longo caminho a percorrer para igualar a fama da Champagne, porém, a distância vem se encurtando tanto na qualidade quanto na comunicação e nas vendas. A segunda apelação de brut mais vendida nos Estados Unidos é o AOC Limoux, atrás apenas de Champagne. Claro.

BLANQUETTE DE LIMOUX CUVEE IMPERIALE
Aimery-Sieur D'Arques
Castas usadas: Chenin Blanc, Chardonnay, Mauzac
Valor Pago em 26/11/2008 -> US$26,03
Importado pela Nunes Martins

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eu não gosto de vinho ácido


Taí uma expressão repetitiva e, muitas vezes, chata.Não que as pessoas não tenham direito de detestar vinho ácido. Não é isso. O problema está no fato de que, na grande maioria das vezes, não se está falando de acidez. O que acontece é que qualquer rugosidade que se sente em boca "vira", ou é chamada, de acidez. A acidez é um sabor totalmente mal compreendido. E, para piorar as coisas, é vista como uma coisa ruim. Ao contrário do que pode parecer, no entanto, a acidez é, talvez, um dos elementos mais essenciais à vida do vinho.

A vida do vinho começa na vinha. E lá, um lugar aparentemente distante do consumidor, a acidez já é tida em conta. Na hora da colheita não se consideram apenas os níveis de açúcar - que se transformarão em álcool. São duas curvas (em um gráfico) as consideradas. Uma é a do açúcar, que vai se concentrando e aumentando, e a outra é a da acidez, que vai diminuindo. Mas não deve diminuir muito abaixo de um certo ponto porque senão, o viticultor sabe, os vinhos resultarão planos, sem vida e, o pior de tudo, não terão potencial de envelhecimento.

Tampouco pode-se colher muito cedo, pois o vinho terá muita acidez e pouca concentração de açúcares – a essência desta fase dos trabalhos do viticultor é a busca de um equilíbrio muito fino. É um momento difícil para todos os produtores.

A acidez é considerada a espinha dorsal do vinho por dois motivos. O primeiro porque é ela que, quando temos o vinho em boca, dá luz a todos os outros sabores. Uma "agulhada" na lateral da língua faz nosso paladar despertar. E quando há boa acidez no vinho, depois que engolimos, salivamos e continuamos sentindo os sabores. Se não há acidez, o vinho fica plano, ou chato, como dizemos. É como tomar cerveja chocha, refrigerante sem gás ou uma limonada quente. Este lado gustativo já seria em si argumento suficiente para exigirmos acidez no vinho, mas há um outro ponto importante.

O segundo motivo pelo qual ela é considerada a espinha dorsal do vinho é que é sua presença em grande quantidade, juntamente com outros elementos, é a responsável pelo potencial de envelhecimento dos vinhos. Como a acidez tende a diminuir de forma relativamente rápida, se o vinho, quando for engarrafado, já tiver pouca acidez, a tendência é de vida curta. Os grandes vinhos, quando jovens, têm muita acidez, quase ao ponto de ser insuportável bebê-los. É claro que ela não é a única responsável: os grandes vinhos de grandes safras têm um equilíbrio perfeito entre açúcares, ácidos e taninos. Mas mesmo tendo o melhor tanino do mundo, ou uma quantidade incrível de açúcar, sem acidez, o vinho morrerá jovem.

Afinal, como distinguir?

Na hora da degustação, para entender se uma sensação é acidez ou outra coisa, preste atenção. Coloque uma grande quantidade de vinho em boca. Não engula logo de cara, deixe o líquido para passear pelas mucosas. Repare se na lateral da língua, perto do osso no final do maxilar, você sente uma agulhadinha. Se sim, o vinho tem acidez. Se não, continue observando suas sensações e, depois, engula. Agora perceba se você está salivando. Se estiver, é sinal de acidez também.

É claro que há diferenças pessoais de percepção. Mas o importante é você entender a sua. Se você está sentindo algo incômodo nas suas gengivas, isto não é acidez. Provavelmente é excesso (ou então você é sensível) de álcool. Se você estiver sentindo um granulado, uma rugosidade sobre a língua ou no céu da boca, isto são os taninos: eles coagulam a proteína da saliva.

Um vinho equilibrado deve ter boa acidez para, como já disse, revelar os outros sabores. Mas não apenas isto. Deve ter álcool, taninos (no caso dos tintos), bom volume, ou seja, um pouco de tudo. É claro que se tiver uma acidez intensa, desequilibrada em relação aos outros elementos, não será equilibrado.

Agora, o que eu quero dizer com tudo isto? Que no mundo do vinho — por mais que pareça bobagem — , usar as palavras certas é essencial. Quanto mais entendemos nossas sensações mais conseguimos explicá-las. Às vezes não gostamos de um vinho não porque ele é ácido, mas porque ele é tânico, ou muito magro em extrato e taninos (sentimos mais o álcool), ou muito alcoólico, entre outras coisas. Então, da próxima vez que tomar um vinho e não gostar, tente identificar o porquê antes de chamá-lo de ácido. Esta memória gustativa será uma ferramenta essencial para explicar direito para um sommelier, para comprar bem numa loja ou simplesmente na hora de compartilhar com os amigos. Pense nisso!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A adega do vizinho


As adegas são espaços dedicados ao repouso dos vinhos, tanto para envelhecimento, quanto para guarda momentânea. O mercado oferece diferentes tipos de adegas prontas, com refrigeração adequada e personalização em diferentes aspectos. Entretanto, para o mais assíduos, ventilação, inclinação, vibrações e facilidade de acesso, além de uma limpeza contínua, podem também fazer parte do planejamento de uma adega.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Os Taninos



Os taninos são percebidos na análise gustativa, ou seja quando bebemos o vinho. Trazem aqulea sensação comum a frutas verdes, o "amarrar". Quando comemos uma fruta verde reclamamos que ela "trava" a boca, amarra, a ponto, em casos extremos, de não conseguirmos terminar de comê-la.

No vinho essa sensação define muitas vezes a qualidade do vinho, quando o tanino está ruim, quando o vinho amarra de forma a trazer um desconforto, classificamo-os como um tanino verde e o vinho como ruim.

Quando esta sensação é prazerosa, gentil, enfim quando a "amarrada" é gostosa, é possível, acredite, chamamos os taninos de maduros. Mas eles podem melhorar... sendo classificados como redondos, finos, finíssimos e o delicioso veludo. Há alguns que falam ainda em taninos doces, isso surge geralmente quando a carga tânica é pequena e os taninos são prazerosos, redondos, aliados há algum retrogosto doce.

Um vinho pode ter ainda muito ou pouco tanino. Isso depende basicamente da uva, existem uvas com cargas tânicas menores, como por exemplo a Trincadeira, Bonarda, Merlot e a Pinot Noir. Normalmente vinhos com carga tânica de razoável para pequena tem uma longevidade menor. Sempre há exceções que confrimam a regra. Malbec, Cabernet Sauvignon, Primitivo, entre outras são uvas de carga tânica elevada.

Perceberam que citei apenas uvas tintas? Os taninos vem da casca da uva, tem na semente também, mas estas não passam pelo processo de vinificação. Nos vinhos tintos as cascas passam, já nos brancos as cascas não fazem parte e portanto os vinhos brancos não tem taninos.

Os taninos são os principais responsáveis pelos benefícios que o vinho traz a saúde, logo concluímos que apenas os vinhos tintos fazem bem a nós seres humanos, os brancos, em que pesem serem deliciosos, não tem essa qualidade.

A sensação de amarrar do tanino ainda tem o nome "técnico" de Adstringência.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A decantação é realmente necessária?



A decantação de um vinho consiste numa operação simples com um duplo objectivo: evitar que algum sedimento que se tenha depositado no fundo da garrafa fique suspenso no vinho turvando-o e promover o contacto do vinho com o oxigénio, fazendo-o respirar.

No caso dos vinhos com sedimento, deve colocar-se a garrafa na vertical de forma que permita que os sedimentos se acumulem no fundo da garrafa.

A degustação é realizada após a abertura da garrafa e, basicamente, deve efetuar-se da seguinte forma: Deita-se a garrafa com cuidado para que o sedimento não se misture ao vinho e comece tombando a garrafa e colocando o vinho no decanter, procurando manter o sedimento sempre abaixo do gargalo da garrafa. Deve ter-se o cuidado de efetuar a decantação de uma só vez, com movimentos suaves, mantendo a garrafa o mais estável possível para que os sedimentos não se misturem no vinho.